Era como a gente girava naquele brinquedo de criança que me fazia ter saudades de nunca ter estado ali. Todos os dias o corpo queimando naquele sol de final de ano. Calor de férias e aquelas sorrisos de estômago, involuntários, jatos de excitação. A cada passo na grama, a lembrança de que tudo é etéreo, entremeado pelos dias escolares, provas e almoços ao meio dia. Tudo duraria ainda aquele tempo que nunca é suficiente, mas que se submete à vontade súbita de se deitar em lençóis com o cheiro de casa da gente impregnado no algodão.
Era ali naquela roda que a gente se encontrava e as mãos se esbarravam, suadas e com cheiro de ferrugem do brinquedo. A única coisa que me fazia ficar eram esses encontros furtivos, sem nome ou cláusulas. Eu tinha 12 anos, você um pouco mais, com aquele jeito de fazenda que dá o ar ingênuo aos meninos. Um cowboyzinho meio urbano, com as blusas de bandas que levávamos para você como presente da "cidade grande".
Até hoje me perco entre os prédios, não sei andar por essas ruas. Aqui nunca estive de verdade. Só a mão suada permanece.
19:53h - publicado por Crib Tanaka