As asas batendo cintilantes. A cada flap, purpurinas caíam de suas costas. A fantasia feita pela mãe a fazia sentir-se como uma fada, ninfa mirim. Não conseguia tirar os olhos da cauda, furta-cor, caindo leve sobre os pés branquinhos. Nos cabelos, ela pôs uma espécie de guirlanda, com flores de plástico bem miudinhas, que vieram junto com presentes de aniversário. Linda e lilás que estava, foi flutuando para o colégio. Nas costas, a mochila amassando um pouco as asas.
Sem nem piscar, a atenção fixa no relógio, esperava a campainha tocar. Depois do estrondo, todos em fila indiana para o auditório. As vozes agudas se misturando – mal consegue distinguir uma conversa, não dá tempo de completar uma frase.
O chão frio do palco, os passos como rufos e a cortina abrindo.
Ela, pendurada por um fio, aparece voando sobre a floresta de celofane verde. Os braços abraçam o corpo e a cabeça ela deixa pender, propositalmente, fazendo com que a luz reflita seus cabelos finos e louros. O ar condicionado gela a expressão – é assim, entre o melancólico e o divino que deve manter-se. Seu dever é espalhar magia, "encenar o fantástico", como disse seu mestre.
Durante uma hora e meia, andou entre as copas das árvores de cartolina marrom, passeou entre os lindos animais de pelúcia e as flores de plástico multicoloridas. Adormeceu ao lado do lago de papel metálico azul, refletindo a linda lua prata.
Os aplausos. Os assovios. E o calor nas bochechas.
Todo final de ano, tinha seu dia de princesa.
16:01 - publicado por Crib Tanaka