Desfio


Sem vista para o mar

(Dali)

A manhã nem sempre pode ser feita de maresia.

Ele dizia que era serração aquela névoa fina cobrindo o sol, enquanto ela mordia o pão francês com queijo minas. O outro tentava explicar que não podia ser serração, logo ali, em frente ao mar.

Ela calou.

O que mais lhe incomoda são letras de muitas fontes. As opções vastas. Letreiros em camisas, homens vestidos de dinheiro. Velhinhas que pegam tudo do armário e vestem-se como lustres imperiais. Os cotovelos esbarram em seu peito, não há pedido de desculpas.

Fazendo círculos pelas praças podadas, ela segue, como apoio à bolsa vermelha, andando cabide para o trabalho. Na cabeça, uma espécie de nada: sempre quando em meio a tumultos, os pensamentos dela não se concluem, novas histórias atropelam sem pudor as anteriores, têm dúvidas se realmente é capaz.

Fecha o sinal.

Cangas, maiôs, pernas queimadas, cadeiras coloridas. A madame com cabelos de laquê e seu cachorro transformado em pompom branco compram cigarro no bar.

Ela sente solidão.

Os senhores tatuados parecem marinheiros abandonados na enorme avenida com nome de santa.

Em cima das calçadas, cartazes de promoção: leve três e pague dois. Eram bons os tempos de princesa.

Overcopacabana de paralelípedos pendurados nos lóbulos decadentes.

12:01 - publicado por Crib Tanaka



Escrito por Crib Tanaka às 11h02
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Carne viva

(Munch)

Carne-viva

Tenho roído muito as unhas. Arrancado lascas de pele, como bifes de peixe, brancos, salgados, às vezes com gosto de rua, fumaça. Outro dia depositei um desses nacos de mim no prato ao lado, um pires, desses que servem como base para palitos e envelopezinhos de sal. Quando dei por mim, ele estava cheio. Virei disfarçadamente as meia luas para o vira-lata. Ele comeu afoitamente, me olhou, pedindo por mais. Mais uma cerveja eu tomo, enquanto espalho, pela saia do meu vestido, pedaços vermelhos de esmalte. Estou descascada, saia preta coberta de triângulos e retângulos e outras mini-formas escarlate, fáceis de quebrar, frágeis ao sopro, antes pinturas sistematicamente feitas para emoldurar minhas mãos, meu principal meio de expressão - isso foi ele quem me fez enxergar.

Penso aqui nele, que me deixa aqui no frio, esperando. Nada, ele não me deixou, expressei-me mal, ato falho, sei lá. Ele falha. Eu falho. O meu amo(r) às vezes se atrasa. Sinto fome, deveria ter colocado o que eu tinha no pires para empanar e fritar. Aperitivos confiáveis - esse seria o slogan para meu mais novo eu-petisco. Rá. Rio só, sozinha estou aqui no Rio. Faz bem pensar na vida, a sós, não é? Mas, não, não me sinto só. Estou acompanhada dos piores pensamentos que poderia ter em um momento onde estar sozinha só seria bom se eu não pudesse pensar no que não se deve ser pensado. Podemos ser péssimas companhias para nós mesmos, quando (não) queremos.

Na minha bolsa, um livro. Passo a mão no verniz do título: "Caixinha de Madeira". Contos de fadas. Heroínas com longos cabelos e cinturas finas. Lúdica fase. Nas páginas que eu lia, o príncipe encantado salvava as moças e aí - aí sim - vinha o auge da história: eles eram felizes para sempre. Lúdica fase. Acredito eu, que, no posfácio, deveria ser colocado um adendo à la Vinicius, onde leria-se: eterno enquanto durou.

Mais uma cerveja!, e minha racionalidade pede ao álcool concentrado em meu sangue que a pieguice seja eliminada no próximo xixi. A cerveja parece urina. Preciso desabafar minha pieguice.

Olho para as minhas mãos, sem nenhum vestígio do que elas foram até um minuto atrás. Desprovida de molduras-unhas, de pinturas-sensações, de qualquer vontade que eu tive ontem, em casa, quando as coloria para você, para mim, para mostrar que eu me preocupava comigo, com você, com suas costas, com os contrastes na sua pele, na minha pele.

Fecha a conta!, e saio, pelas pedras, não há asfalto. A minha falta de salto faz o pé sentir em sua sola a massagem desagradável, o contato doloroso do chão irregular, cinza. O contato se espalha na coluna, ela range, dói, ali na altura do cóccix. Abaixo para ajeitar a fivela da sandália que foge do pé e o cachorro me lambe. Mordo com força o dedo e deixo para ele mais uma lasca de mim. Que come minha pele afoitamente, e olha pedindo mais.

11:51 - publicado por Crib Tanaka



Escrito por Crib Tanaka às 10h47
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(Picasso)

Sentada na sala de jantar, gatos enroscados em suas pernas constróem esses, como letras-fios onde descompassa o caminhar, levando a quase vontade de levantar para dentro do prato. Prato raso, fundo branco. Deposita nele os grãos transparentes de arroz, sente a textura sólida, escorregadia e esfarelenta, das que parecem deixar talcos subcutâneos. Espirra para ver se sai. Peneira.

Naquele almoço de cerejas flambadas, havia deixado a sobremesa virar atração. A inquietação na escolha trouxe afrodisíacos para a conversa. Pararam em África do Sul, passaram pelos livros, espanaram espumantes.

A noite costuma acabar clara, ela sentada, poltrona branca, pés descalços, procurando alguma fonte fidedigna que lhe conte um pouco do dia em páginas de tintas pretas. Folheia as dádivas culturais, procura distrações em classificados, termina conformando-se com as notícias-mundo, aliviando em páginas centrais as dores de sua coluna social.

Quando rufaram os ingredientes, a digestão veio certa e unificadora. Não demorou para dividirem garfos. A cumplicidade no beber água direto no gargalo era fato. Andavam nus, sem pudor. Ela e suas esquecidas vergonhas das pernas brancas..

Folheando páginas-comida, depara-se com as frutinhas vermelhas, de anatomia quase infantil. As cerejas mantiveram até certo tempo a infância de bolos de chocolate na memória. Agora, olha para elas na mesa, já com aspecto mole. Nunca mais fez tartelettes, não arriscava mais as mãos no açúcar.

A dispensa vazia a faz sentir fome. A fome lembra que a mesa tem quatro lugares. As três cadeiras com almofadas sem uma ruga sequer a fazem sentir-se só. Vira-se e ri um riso monossilábico – h~ã! –, como os que iniciam um comentário debochado, ao mesmo tempo em que gira para o lado e a única coisa que vê é a imensidão de uma parede, numa espécie de transe desmemoriado. Certifica-se de que não há ninguém. Peneira o arroz, junta os grãos com as mãos espalmadas.

Nos últimos dias de interseção, decidiu que só tomaria água em garrafas de plástico e que compraria uma banheira, onde eventualmente, dormiria. Os gatos ela roubou da rua-sebos, quando procurava um novo velho sofá e terminou comprando a poltrona. Onde se senta todo dia.

Leva ao fogão à lenha os paladares de passados longos, as memórias táteis de vidros colados com os quais junta a travessa-corpo. Esquenta. Na panela funda, prestes a cozinhar, evaporam cheiros. Os gatos a cercam, sentam e esperam a comida que também lhes servirá de alimento. Ela prova com o dedo o arroz, está sem sal. Joga tudo no lixo, os gatos miam, ela faz carinho neles, que enroscam em sua perna, enquanto ela descasca a cebola e chora.

13:20h - publicado por Crib Tanaka



Escrito por Crib Tanaka às 12h21
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Férias

Amarelinha, 1,2,3. O suor gruda a franja na testa, as costuras internas da bermuda de lycra machucam as coxas grossas. Pele banca e fina, fina. Ela não sabe ainda de suas delicadezas, suas amenidades. Sente o pé machucar, o sangue mistura com terra, areia, forma aquele aspecto dos esquisitos-criança, quando machucados não inflamam e tem colaração diferente. Logo o cheiro de ferrugem sobe, mas ela ri, levanta e corre, as palmas das mãos marcadas por listras do tijolo onde ficou encostada durante horas, conversando ali com os meninos, as meninas.

O chinelo amarronzado pela poeira é a recordação que ela carrega anos depois. E a sensação macia entre os dedos que a terra deixa depois de entranhada como pancake natural nos pés. As brincadeiras cortadas pelo cheiro do doce de feijão, preferido dela, gosto de férias na casa dos primos, que moravam longe, numa casa, casa em cima de terra, terra que entrava nos dedos, amaciava o pisar, adormecia o corpo pesado à noite, corpo novo que amanhecia doído de tanto correr, brincar, achar espaço naquelas dimensões diferentes, amplas, livres.

Cheiro de madeira dos armários, sobre um deles, o templo budista. O que seria? Vê a "batcham" rezar, não entende, queria entender, acha bonito esse código indecifrável, legitimamente dela com seus pedidos, suas horas. Respeita.

A televisão ligada, os personagens de desenho animado ao fundo, vozes agudas e pianos de

música clássica combinados. Pique-esconde o dia todo, becos e cheiro das uvas nascendo na parreira. Sujar-se como prenúncio da maneira mais simples de diversão, folhas balançando como presságio da noite sob as estrelas, mil estrelas, das que aparecem somente quando longe de casa, somente quando nessa casa, sua por uma semana.

A hora do banho, ralo sugando toda a terra manchando o azulejo azul por alguns segundos. Os escorregões nos azulejos deixando os roxos que duravam até a primeira semana de aula.

A mão pesada e firme em sua cabeça, o cabelo sendo penteado, o sono pesando, as pernas latejando, os olhos logo fechavam, a noite seria de sonhos, amena, amanhã tem mais.

As malas no carro, tudo tão rápido, não faltava mais um dia? Não agüenta e chora, todos riem, todo ano é assim. A mãe a consola, assusta-se com tanta tristeza na filha.

O quintal fica longe, já não lembra mais direito de como era a árvore de maracujá, como era mesmo o nome daquele menino? Cansada, encosta no travesseiro molhado, pensa porquê chora e não sabe, não sabe de suas saudades, os olhos ardem.

O corpo adormece, as mãos macias limpam constantemente as bochechas, lembra de sua cama, da vontade de tomar banho no chuveiro mais forte, pisar no tapete.

13:18 h - publicado por Crib Tanaka



Escrito por Crib Tanaka às 12h20
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Relicário

(Man Ray)

Eu queria ter ficado na corda do pêndulo, relicário de tempo que ficou no caminho.

Sempre que viajávamos e, na estrada, havia uma dessas lojas especializadas em relógios e móveis com linhas antigas, ela pedia pro meu pai parar, pára bem, pára pra gente ver os carrilhões!

Os sons do minutos ritmados seguidos pelo assustador eco de cada hora anunciada me davam medo e, ao mesmo tempo, um certo conforto. Os olhos de mamãe brilhavam e ela dizia que aquilo era lindo, olha filha, é lindo, lembra o que vovó tinha no sítio.

Sempre ficava na dúvida se gostaria de a cada meia noite, ouvir um blimblom de filme de terror. Mas, qualquer coisa, o travesseiro em cima do rosto ajudaria a aguentar o suspense. Era por uma boa causa. Acho que foi a última vez que vi mamãe querer tanto algum objeto. Ela, hoje, fala de pisos, armários, blusas de algodão, mas não com o mesmo desejo.

Depois de tanta indecisão - o preço era alto- terminamos não comprando. É muito caro, minha filha, é tão caro... ela dizia como se isso fosse consolo e a cada vez que falasse, sua vontade de tê-lo fosse diminuir - o que eu não via acontecer.

Durante um ano, guardou dinheiro. É de madeira maciça, o vidro é de cristal, é coisa boa. Se juntar um pouquinho a cada mês, quem sabe.

Na viagem seguinte, entramos na loja onde estava o tempo de seus sonhos e tudo estava mudado: agora vendiam coisas para quintal. Não, minha senhora, não vendemos mais, não dava lucro, ninguém dava valor à preciosidade do trabalho. Que pena, sonhei com ele o ano todo. Obrigada, de qualquer maneira. Ela sempre teve essa boa educação inglesa aliada a tons passionais de voz.

Depois disso, mudamos o piso de todos os cômodos, compramos mesa nova para a sala e alguns arranjos de flores - ela adora. E toda vez que, em algum filme, soa uma badalada, vejo a expressão de encanto e o olho dela guardar uma lágrima quase infantil.

13:18 - publicado por Crib Tanaka



Escrito por Crib Tanaka às 12h19
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(Rennie Mackintosh)

Ela não parcelava as contas que tinha para pagar. Nada em três vezes, duas, que seja.

"Tenho medo de parcelar... é isso. Medo. Medo do quê? De simplesmente lembrar que tenho dívidas, pior!, com-pro-mis-sos, por alguns meses pela frente." – dizia ela para os vendedores.

Era considerada uma verdadeira maluca, dona de alguma doença psicológica ainda sem nome. Enfim, era assim, sabia disso, a terapia não tinha dado jeito: nada saberia prolongar.

Quando pequena, as amigas faziam lindos "m" com várias voltinhas em suas pernas e ela o fazia seco. Sempre escreveu com letras de forma. Nas festas de aniversário, nada de bolos com milhões de corações de chantilly.

Gostava dos bolos de laranja, retângulos simples e retos. Nas festas, enfeitava os cabelos com grampos. Nada de laços ou flores.

Com 15 anos, começaram a chamá-la de mocinha. Ela e seus ciclos tiveram que conviver com as perguntas curiosas que a contornavam. E que se arrastaram até os 21 anos, quando viu-se apaixonada.

Soube que seria ele, Luiz, seu amor, quando prolongou o olhar para ele. Não conseguia, de jeito nenhum, desviar. Fixou-o de maneira que se mais tarde tivesse que pintar um quadro com o rosto do rapaz, saberia. Luiz e suas meias cinzas, sua calça preta, sua blusa de algodão suave ao toque. Toques prolongados. Prolongados dias, finais de tarde, almoços. Prolongados meses, anos, laços. Prolongadas compras de casa, filmes, filhos.

Não teve jeito: Tita dividiu-se em prestações, ainda que suaves.



Escrito por Crib Tanaka às 12h13
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